A VERDADEIRA HISTÓRIA DA ASSOCIAÇÃO LUSO BRASILEIRA DE BAURU

O início de uma agremiação predestinada ao sucesso social, esportivo, recreativo e literário.

Aqui estamos, prezados associados, não com a pretensão de ensinar-lhes algo novo, porque somos conscientes do pouco que sabemos, todavia, vimos com a firme convicção de que poderemos oferecer a verdade sobre a origem da Associação Luso Brasileira, porque a sua fundação partiu da iniciativa que tivemos ao procurar o Comendador José da Silva Martha ― figura estelar do portuguesismo em Bauru ― para fundarmos uma Casa de Portugal. Naquela época o número de portugueses na cidade, teve um acréscimo jamais visto em outros tempos. Isto fez com que passássemos a nos reunir, costumeiramente, para relembrarmos os tempos vividos em nossa terra natal, matando a saudade de tantos acontecimentos que se faziam presentes na nossa memória. Inicialmente, começamos com o programa de rádio ”Serões da Aldeia”, que contava com notícias e músicas portuguesas e era produzido e apresentado na PRG-8, Bauru Rádio Clube, juntamente com David Borges da Costa e participação de D. Celina Lourdes Alves Neves. Nessa época conseguíamos trazer alguns filmes portugueses de São Paulo, para apresentá-los aos patrícios e suas famílias no auditório da PRG-8. Isto serviu para que congregássemos, ainda mais, os portugueses aqui residentes. Tempos depois realizamos no Cine Bandeirantes o Primeiro Festival Português no dia 2 de maio de 1959, em homenagem ao Comendador José da Silva Martha, que era nosso Vice-Cônsul de Portugal. No ano seguinte fizemos no mesmo local o Segundo Festival Português, mais uma vez para homenagear o Comendador e Alberto Maria Andrade, Diretor da Revista Alma Lusíada de S. Paulo e do programa da TV Tupi Canal 4, “Caravela da Saudade” e logo em seguida, veio a Noite Portuguesa no Bauru Tênis Clube. Acontecimentos de muito sucesso e grandemente aceitos pelo público. A par desses movimentos, era comum às sextas feiras após o trabalho, reunirmos alguns lusitanos no quintal da casa de meus pais, para assar algumas sardinhas na brasa e tomarmos uns copos de vinho, contando histórias da nossa terra! Como em Bauru não existiam as apetitosas sardinhas nas peixarias locais, íamos a Santos buscá-las para assá-las com esses amigos.

Era a maneira que tínhamos para nos reunirmos naquele tempo e recordarmos a nossa vida em Portugal! Tudo isto, sem imaginarmos que esses movimentos serviriam de base para a fundação da Associação Luso Brasileira de Bauru!

E assim, com essas ações, matávamos a saudade da vida que tivemos em terras lusas. Isto deu um grande impulso à ideia que levamos ao Comendador Silva Martha, para criarmos uma Casa de Portugal em Bauru. A proposta foi imediatamente aceita pelo Comendador, que enalteceu a iniciativa, pedindo apenas que esperássemos a chegada do Dr. José da Silva Martha Filho, que desfrutava de umas férias, com a família. Com a chegada de Martha Filho, logo recebemos um telefonema e nos reunimos para tratar da ideia que havia levado ao Comendador Martha, pessoa sempre muito dedicada ao progresso de Bauru. Só que Martha Filho ― homem de mente arejada e progressista ― logo me propôs, que ao invés, de fundarmos uma Casa de Portugal, porque não partirmos para um empreendimento maior que entrelaçasse, ainda mais, os portugueses aos brasileiros e a outros descendentes de várias raças que habitavam em nossa cidade? Talvez uma associação dessas pessoas?

― Uma Associação Luso Brasileira? Perguntei! 

― Sim! Respondeu Martha Filho.

Daí nasceu a nossa Associação: a Associação Luso Brasileira de Bauru, cuja denominação foi aceita de imediato. O resultado todos conhecem! Foi a consolidação em Bauru da gênese luso-brasileira: a lusitanidade e a brasilidade, somada a outros povos que aqui mourejavam e desenvolviam as suas atividades.

Logo marcamos alguns encontros com portugueses mais próximos e isto acontecia na “A Brasileira”, uma casa de frios pertencente ao José Cacciola, que se localizava na esquina das ruas Batista de Carvalho, com a Gerson França. Geralmente nos fins da tarde era comum nos encontrarmos lá, para começarmos a delinear o que seria a Associação Luso Brasileira. Na sequência de tantas tardes ali reunidos, marcamos o dia 10 de junho de 1962, às 9 horas, um domingo, para uma reunião no Salão Nobre da Beneficência Portuguesa, então gentilmente cedido pelo seu presidente que era o Comendador. Entre os presentes, lembro-me bem, encontravam-se o Comendador José da Silva Martha, Dr. José da Silva Martha Filho, Dr. Fernando Ferreira de Pinho, Albino Gomes de Oliveira, Manoel de Carvalho Melrinho, José de Almeida Coimbra, David de Almeida Coimbra, Estevam de Carvalho Paes, João Abreu, David Borges da Costa, Agostinho Ribeiro e eu, Abel Fernando Marques Abreu. Chovia torrencialmente!

Nesse dia ficou decidido que a Associação seria registrada e conhecida como Associação Luso Brasileira de Bauru, sendo eleita a primeira diretoria que teve no Dr. José da Silva Martha Filho, o seu primeiro presidente. O primeiro passo foi dedicado à elaboração dos Estatutos associativos e, na sequência, foi aberta a inscrição para quem quisesse apresentar um modelo do distintivo da Associação que seria usado nos papeis impressos e na bandeira associativa. David Borges da Costa foi o vencedor, apresentando o mapa do Brasil ao fundo com o escudo e a esfera armilar das cinco quinas da bandeira portuguesa, sobrepostos no frontispício do mapa. O distintivo de uma agremiação é como a bandeira de um país: perene, imutável. Pena que algumas pessoas não saibam disso!

O Comendador José da Silva Martha, foi designado por unanimidade, como Presidente de Honra da nova entidade, graças ao seu labor, concordância e apoio à fundação da ALBB. O trabalho admirável desse homem, deixou um exemplo a ser seguido, pelo entusiasmo, pelo labor espontâneo de sincero lusitanismo a emoldurar os seus atos e as suas ações.

Portanto, ao contrário do que se apregoa, a data correta de fundação da Associação Luso Brasileira de Bauru, é 10 de junho de 1962, Dia de Portugal, Dia de Camões e Dia das Comunidades Portuguesas. Logo, foi lançada a ideia de se adquirir um terreno onde pudesse, no futuro, construir-se a sede própria da Associação. Foi então aprovada a sugestão para se colocar à venda 120 títulos associativos. Aprovada a ideia coube a Albino Gomes de Oliveira a aquisição do primeiro título e a mim, a aquisição do 120º. Inicialmente tentou-se comprar uma quadra pertencente ao Sr. Alexandre Nasralla nas imediações da Praça de Portugal e eu, fui incumbido de contatar o Sr. Nasralla a respeito. Quando o Comendador Martha soube da intenção, disse que teria uma área nas proximidades que poderia ser vendida para a ALBB, mas, teria que consultar quatro adquirentes de lotes na quadra pretendida. Como o Comendador acertou a transferência desses lotes para a quadra anterior, foi resolvida a questão e a diretoria cumprindo os devidos tramites, acabou por adquirir a área destinada à construção da sua sede própria. Consta que o numerário obtido pela venda desse imóvel teria sido empregado na construção do Santuário Nossa Senhora de Fátima, sob os traços arquitetônicos do Dr. Fernando Ferreira de Pinho e a supervisão do Dr. José da Silva Martha Filho e doado à comunidade pela família Martha, que engrandeceu Bauru com tantos benefícios. O Comendador com esse gesto cumpriu a promessa que havia feito de construir uma pequena capela em homenagem a Nossa Senhora de Fátima, mas, a capela, virou um Santuário, que, na verdade, reflete bem a religiosidade do seu doador e de sua família. 

O terreno foi então aplainado, ficando uma parte mais alta do que a outra. Na parte de cima, construir-se-ia a sede social e as piscinas e na parte de baixo, o ginásio de esportes, as quadras de tênis e as canchas de bocha. Foi então marcada a inauguração da água e da luz que para lá foram levadas com dificuldades, pois até à Praça de Portugal, existiam poucas casas e da Praça de Portugal até o imóvel adquirido, nada existia. Então José Renato do Vale Gadelha, gerente da Cia. Paulista de Força e Luz e Álvaro Lamônica, presidente do Departamento de Águas e Esgoto, se encarregaram de levar a luz e a água para o imóvel. Marcada a inauguração da energia elétrica e do precioso líquido, numa das reuniões na “A Brasileira”, apontamos o Dr. José da Silva Martha Filho, para fazer o discurso inaugural. Martha Filho desvencilhou-se dessa possibilidade, alegando que não ficaria bem ele solicitar ao próprio pai que doasse uma pequena quadra de terreno anexa à já adquirida. Manoel Carvalho Melrinho, também, recusou a indicação, assim como José de Almeida Coimbra, então Vice-Presidente da ALBB, restando para mim, elaborar e fazer o palavrório. Aceitei com a condição do Dr. Martha Filho comentar a doação do terreno com o pai, para amenizar o impacto da solicitação que seria feita. Quando chegamos ao imóvel já estavam lá algumas dezenas de convidados. Aguardamos a chegada do Dr. Martha Filho. Quando este chegou, já havia algumas centenas de pessoas e logo perguntei se ele havia falado com o Comendador sobre a doação do terreno. Surpreso, a resposta foi que havia esquecido! Então, disse eu: arrumem outro para fazer o discurso que eu vou embora. E assim foi! 10 minutos depois estavam na minha casa o presidente Martha Filho, José Coimbra e o David Coimbra com o Manoel Melrinho, implorando para que eu voltasse para fazer o discurso. Concordei, desde que, quando eu falasse o nome do Comendador, todos batessem palmas para amenizar o pedido da doação. E assim foi! Lembro-me bem de algumas palavras ditas naquela inauguração: “Senhor Comendador (palmas) somos como os velhos marinheiros portugueses à procura de uma nesga de terras que para nós seria um continente de luz. Terra à vista, terra à vista, Senhor Comendador, (palmas), gritavam a todos os pulmões os lusitanos desbravadores”, disse eu. Enfim… a reunião continuou e, depois da inauguração das instalações da luz e da água, preparamos uma sardinhada regada a uns copos de vinho. A comilança ia alta e por várias vezes Manoel Melrinho, mandou buscar garrafões de vinho no Dias Martins S/A, uma casa atacadista de secos e molhados, existente na Praça Machado de Melo, da qual o Sr. Melrinho, era o gerente. Só de madrugada é que o Comendador aceitou fazer a doação da área pretendida. Assim mesmo, com uma cláusula restritiva. Não demorou muito e a Câmara Municipal aprovou a denominação da Rua Luso Brasileira em homenagem à Associação. Tempos bons e saudosos, quando a Associação, foi aquinhoando os seus gloriosos espaços e nos faz lembrar de alguns acontecimentos que marcaram época:

Festa Portuguesa

A diretoria solicitou, então, que providenciássemos o estudo para a realização de uma festa tipicamente portuguesa. Fomos para São Paulo para assistir às festas juninas que se realizavam no Canindé na sede da Associação Portuguesa de Desportos e na Sociedade Esportiva Palmeiras. De volta a Bauru, montamos a nossa festa, à qual denominamos de Festa Portuguesa. A primeira e a segunda, foram realizadas na sede social da Igreja São Judas e São Dimas. A primeira contou com a apresentação do Grupo Folclórico Luso Brasileiro da ALBB, dirigido pelo Sr. João Abreu e o cantor de fados António Silva e a segunda, teve a apresentação de Branquinho e seus estudantes de Coimbra, trajando as famosas “capas negras” dos estudantes e suas guitarras e, também, do Grupo Folclórico. Sucesso absoluto!

A primeira Festa Portuguesa na sede própria da Associação Luso Brasileira de Bauru, na verdade, foi a terceira que realizamos e quando apresentamos o cantor português Francisco José que fazia muito sucesso com a música “Olhos Castanhos”. Bem na esquina do terreno adquirido do Comendador Silva Martha, foi armado um grande galpão coberto com encerados emprestados graciosamente pela Cia. Paulista de Estradas de Ferro, através de seu diretor local Dr. Dirceu Gomes de Mattos. As catracas da festa chegaram a registrar a presença de 12.000 pessoas que lá foram saborear as sardinhas assadas na brasa, os bolinhos de bacalhau, as alheiras, caldo verde e a bacalhoada e também, os doces portugueses: pastéis de Belém, pasteis de Coimbra, ovos moles de Aveiro e Ninhos, num evento que era realizado aos sábados e domingos, sob a nossa direção. No último ano a presença acusou a participação de 3.500 pessoas. Durante muitos anos a Festa Portuguesa não foi terceirizada e era preparada pessoalmente pelos diretores e suas esposas que se juntavam para elaborar os quitutes e descascar as batatas que serviriam para os bolinhos de bacalhau, para o caldo verde e para as bacalhoadas. Eram comuns as cantorias do cancioneiro lusitano alegrarem as reuniões, cantadas pelos que participavam daqueles encontros tão alegres! A amizade e a fraternidade enchiam os corações de todos. A Festa Portuguesa, naqueles tempos, era antecedida por uma solenidade em homenagem ao Dia 10 de Junho, Dia de Portugal, Dia de Camões e Dia das Comunidades Portuguesas, realizada com a presença das autoridades locais no Salão de Festas da ALBB. Manoel Carvalho, português proprietário de uma empresa de visuais, era o responsável pela projeção graciosa dos clips com paisagens de Portugal para os presentes assistirem. Foi uma época de encher os olhos, muitas vezes com lágrimas saudosas, pois o amor à pátria era reverenciado por todos. 

A Festa Portuguesa, é uma tradição na ALBB e continua sendo realizada anualmente, com absoluto sucesso, desde que a criei em 1962.

A inauguração das piscinas

Era um sábado, lembro-me bem, pois era produtor e apresentador do Programa “Alto Relêvo” da TV Bauru Canal 2. Foi o programa de maior sucesso da TV naquele tempo. Pois bem, nesse dia ia inaugurar-se a primeira piscina social da Luso e, por volta das 16,30 horas, agarrado de surpresa pelo José Coimbra (vice-presidente) e pelo Dr. José da Silva Martha Filho, (presidente), sem mais, nem menos, jogaram-me nas águas da piscina, de terno e gravata, pois, estava pronto para ir para a TV apresentar o citado programa. Assim mesmo, completamente molhado, fui para a Bela Vista, apresentar o Alto Relêvo e divulgar a inauguração. Nesta altura com as vestimentas já secas pelo calor dos panelões de alumínio com lâmpadas de 1.000 W de potência que iluminavam o set da apresentação.

Mas, o troco não demorou para atingir Martha Filho, pois, quando da inauguração da piscina olímpica ele também foi jogado na água. Detalhe: não sabia nadar! Foi quando, repentinamente, Zezinho Martha Neto, jogou-se na água para salvar o pai que poderia ter sofrido um afogamento! 

São acontecimentos que ficaram registrados na nossa mente e que fazem parte da rica história da Associação Luso Brasileira.

Noite de fados

Some-se a tudo isso, a realização da saudosa Noite de Fados, na primeira construção feita na sede própria da Luso: um galpão. Um sucesso muito grande numa noitada que teve na recepção aos convidados a presença dos casais de dançarinos do Grupo Folclórico com seus trajes tipicamente coloridos que deram um toque português ao evento. O recinto estava lotado, não tendo sobrado uma só mesa vazia. A mesa, para 4 pessoas, tinha uma toalha branca rendada com um castiçal de barro e uma vela acesa, dando um toque romântico ao ambiente acolhedor. Para deguste: tigelinhas de azeitonas verdes e pretas; lascas de paio; tremoços; pequenos bolinhos de bacalhau e queijo em quadradinhos. O prato principal foi Arroz de Braga. A sobremesa teve doces portugueses: pastéis de Belém; barricas de ovos moles e travesseiros de Sintra. O palco foi ornado por um grande telão com casas branquinhas e os lampiões antigos a decorar a paisagem artística, numa obra desenhada pelo arquiteto Fernando Pinho e reproduzida por mim naquele telão. A presença do cantor português Mário Rocha, levou-nos a entoar uma desgarrada inesquecível. A fadista portuguesa Adélia Pedrosa, recebeu muitos aplausos ao cantar alguns fados tradicionais como Foi Deus e Uma Casa Portuguesa. Foi uma noite majestosa que ainda permanece na memória! Ao final uma dose de Porto de Honra, para comemorar.

Carnaval de rua

Quando o carnaval da cidade ainda se realizava nas ruas do centro, a Rádio Auri Verde, promovia a organização, comandada pelo radialista Tobias Ferreira e a Associação Luso Brasileira, participou, pela primeira vez, com um carro alegórico, montado num caminhão Chevrolet, emprestado pelo Sr. António Martins, proprietário da empresa Martins & Machado, transformado num verdadeiro navio por nós construído nos fundos das dependências da firma Dias Martins S/A, utilizando placas de compensado e ripas e um tecido azul enrugado na base, imitando as ondas do mar. Naquele dia 24 de fevereiro de 1963, um domingo à noite, o transatlântico desfilava trazendo os casais de dançarinos do Grupo Folclórico com seus trajes típicos no convés, dando um colorido brilhantemente bonito, enquanto nós íamos na proa, vestindo os trajes iguais aos de Camões e um grande livro aberto simbolizando “Os Lusíadas”. O som típico de um navio era provocado por uma buzina tirada de uma locomotiva e emprestada pelo Gal.  

Ramiro Gorreta Jr., Interventor da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que também nos emprestou um grande sino de bronze. A embarcação que tinha até chaminé soltando fumaça que era produzida através de um balde de zinco com estopa e óleo queimando para provocar a combustão, era abanada pelo David Borges da Costa no interior da superestrutura do convés. O fato é que às tantas, enquanto o navio era aplaudido pela multidão que ficava nas laterais da Avenida Rodrigues Alves, onde se registrou este acontecimento, na quadra 6, defronte ao Edifício Emes, naquela época ocupado pelos Correios, o inesperado aconteceu: a estopa pegou fogo e, enquanto o responsável procurava por todas as maneiras apagar o incêndio, inclusive utilizando alguns extintores que enfeitavam a embarcação, mas, de nada adiantou tanto esforço, pois, ao final, o atarantado David, saiu da cabine todo chamuscado com o rosto todo manchado de preto pelos restos da estopa queimada. E isso, sem que a multidão soubesse o que se passava dentro do navio, batia palmas, veementemente, deslumbrada pela beleza do transatlântico lusitano que foi chamado de “Lusíadas”. O então menino Zezinho Martha Neto, que estava na embarcação, assistiu a tudo! Resultado: conquistamos o primeiro lugar do Carnaval de Rua daquele ano, levando o troféu “Tamborim de Ouro” para o acervo iniciante da Associação Luso Brasileira. Foi o primeiro prêmio levado para as prateleiras da Luso.

Atividades esportivas

Na parte esportiva a Luso Brasileira sempre se destacou com o envolvimento de cerca de 2.000 associados, sem contar com as inúmeras participações em campeonatos e torneios federados, haja visto os feitos do basquete masculino e feminino, vôlei masculino e feminino, tênis de campo, natação, judô e o G.R. Esta área esportiva, foi desenvolvida e dirigida pelo dedicado António Marques Rodrigues dos Santos, tendo o associado António Alves de Castro, como seu grande incentivador e aos quais devemos o favor do reconhecimento associativo. Foram anos laboriosos que engrandeceram os anais luso brasileiros.

Cultura artística

Na cultura musical e teatral a Luso também sempre se destacou. Eis que nos nossos palcos apresentaram-se cantores renomados como Roberto Carlos, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Marisa Monte, Daniela Mercury, Sandi e Júnior, Chico Cesar, Djavan e Gal Costa, entre outros, destacando-se, também, as apresentações teatrais de autores e artistas consagrados pelo público e costumeiramente aplaudidos na televisão.

O Grupo Folclórico da Associação Luso Brasileira, teve grande destaque em suas apresentações. Era ensaiado e dirigido pelo Sr. João Abreu, meu querido e saudoso pai, que se dedicou entusiasticamente para a formação e orientação nas marcações e nos passos dos dançarinos, tipicamente trajados com faixas vermelhas na cintura, coletes azuis/marinho e os barretes vermelhos com barras verdes. As mulheres realçadas com as suas saias rodadas, longas, de listas vermelhas, camisas brancas rendadas, vestindo, ainda, corpetes enfeitados com lantejoulas e lenços de franjas multicores, apresentavam-se dançando viras, malhões e marchas, em espetáculos inesquecíveis de dança exclusivamente portuguesa. O Grupo era muito requisitado. Por isso viajava muito. Certo dia pousou um avião DC 3 da Panair do Brasil no Aero Clube local, trazendo o time do Santos F.C. a bordo, completo, com Pelé e Cia. que se destinavam a Cuiabá no Estado do Mato Grosso. A aeronave pousou aqui, porquê? Para embarcar o Grupo Folclórico da Associação Luso Brasileira, porque com o Santos F.C., eram as principais atrações nas comemorações do aniversário daquela cidade. Outro grande acontecimento que marcou época foi a apresentação no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo, onde ganharam o Troféu Diogo Cão, (famoso navegador português) disputado com dezenas de outros grupos folclóricos. Os seus componentes adentravam o recinto das apresentações, portando, sempre, a bandeira da Associação Luso Brasileira de Bauru, oferecida pelo Dr. José da Silva Martha Filho, então nosso presidente. Tempos bons e muito saudosos.

Projeto Suavidade

A Luso conta, ainda, com o Projeto Suavidade, fundado pela Norma Cordeiro, destinado a associados com mais de 50 anos de idade, no qual os participantes usufruem de aulas de artes, yoga, espanhol e italiano, fisioterapia e desenho. Esse projeto tem por objetivo os encontros sociais, palestras e viagens. As confraternizações mensais entre os associados têm sucesso garantido.

Ressalte-se, também, a programação social própria com eventos de grande envergadura como a Festa Portuguesa, Baile do Hawaí, Baile do Queijo e do Vinho e Carnaval, que completam a alegria de viver na sede social e recreativa da Associação Luso Brasileira, onde as suas amplas e modernas instalações, oferecem aos associados e suas famílias o que há de melhor para deleite e lazer de quantos vivenciam os seus próprios, localizados na Rodovia Marechal Rondon, km 336, seguindo a tradição dos bons momentos vividos na antiga sede da Rua Luso Brasileira, nos Altos da Cidade.

Como veem a agremiação, ganhou espaço, multiplicou-se e vive atualmente, o esplendor de sua existência associativa, tanto no aspecto social, recreativo, esportivo ou cultural. Por isso a Associação Luso Brasileira de Bauru, pode vangloriar-se de ter tido, em seus quadros, diretores idealistas, capacitados para o desenvolvimento das atividades associativas, mediante aplicação de recursos certos para cada modalidade que fizeram o engrandecimento da entidade e consolidaram a sua tradição ao longo do tempo. Devemos destacar que entre todos os presidentes que administraram a agremiação, o único que participou da fundação da Associação Luso Brasileira, foi o dedicado e saudoso Dr. José da Silva Martha Filho.

Assim, prezados associados, nossa missão foi a de fazer com que algumas consciências adormecidas, despertem e, alicerçadas nas informações primárias que estão sendo colocadas aqui, à vossa disposição, ampliem os conhecimentos, imprescindíveis à Verdadeira História da Associação Luso Brasileira e se perpetuem, provindas, do último associado fundador ― ainda vivo ― que viveu cada passo aqui narrado, sabendo-se que o tempo, pode voar e levar as horas, os dias e até mesmo, os anos! Mas, os momentos, os sentimentos, a luta e as pessoas que se reuniam comigo, para fundar a Associação Luso Brasileira de Bauru ― que ainda guardo no coração ― esses, ninguém conseguirá levar. … nem o tempo!

Por isso, ao relembrarmos esses aspectos da fundação da ALBB, não podemos deixar de recordar as figuras grandiosas de sua história, refletidas nas fotos dos presidentes cessantes, a seguir elencadas na Galeria dos Presidentes, simbolizadas no esforço, na perseverança, e na fé que trariam esses abnegados, ao final, ao respeito e à admiração de todos os associados.

Enfim, é o caso de se perguntar: valeu a pena? Valeu a pena todo o labor? Valeu a pena o pedido que fiz ao Comendador Martha? Valeu a pena todo o suor? Valeram a pena todos os pontos de vista dispendidos, alguns criticados; todos os sacrifícios e as horas trabalhadas em cansativas reuniões e tratativas, longe da família e dos filhos? Valeu a pena? Perguntaria Fernando Pessoa. E o próprio poeta português, responderia, na sua expressão admirável que soa como uma prece nascida do fundo da alma.

“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”

1º Presidente

Comendador José da Silva Martha

2º Presidente

Dr. José da Silva Martha Jr.
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3º Presidente

Dr. Antônio Marques Rodrigues dos Santos

4º Presidente

Cel. Iracy Vieira Catalano
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